sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Mentira

A reflexão sobre a mentira de Alexandre Koyré (Taganrog, 1882/1892 - Paris,1964). Filósofo francês de origem russa que escreveu sobre história e filosofia da ciência, é cada vez mais actual, tendo em consideração a prática consciente e actual dos médias.

«A palavra, a escrita, o jornal, a rádio… todo o progresso técnico está ao serviço da mentira. O homem moderno – e é de novo o homem totalitário que temos em mente – banha-se na mentira, respira a mentira, está exposto à mentira a todo o instante da vida. Quanto à qualidade – referimo-nos à qualidade intelectual – da mentira moderna, ela evoluiu na razão inversa do seu volume. O que, de resto, se compreende. A mentira moderna – essa a sua qualidade distintiva – é produzida em massa e às massas se dirige. Ora toda a produção em massa, toda a produção – intelectual, sobretudo – destinada às massas se vê obrigada a baixar os seus padrões. Acresce que, se nada é tão refinado como a técnica de propaganda moderna, nada é tão grosseiro quanto o conteúdo das suas afirmações, que revelam um absoluto e total desprezo pela verdade. E mesmo pela simples verosimilhança. Desprezo que não tem igual senão nesse outro – que ele implica – pelas faculdades mentais daqueles a quem ela se destina.»

Torna-se assim, a meu ver, de veras relevante, questionarmos o conteúdo e a forma do que nos chega embrulhado como notícia…

Sem comentários: